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"LENDAS
À BRASILEIRA, COM SABOR DE MANGA E CHEIRO DE JASMIN"
JUSTIFICATIVA
DO
ENREDO
"Não se faz
literatura
sem
tradição
popular.
Em
todos os
países do
mundo há
lendas,
apólogos,
costumes,
superstições,
tudo unido à
tradição
popular, fazendo
parte da
alma e da
essência de
um
povo,
princípio de
suas
inspirações e
base de
sua
literatura.
As
lendas
são
narrativas fantasiosas transmitidas
pela
tradição
oral
através dos
tempos e no Brasil,
elas têm o
sabor de uma
fruta do
mato, o
cheiro
agreste da
flor
mais
viçosa, a
fantasia colorida
com as
tintas da
nossa
selva, o
encanto de
um primitivismo
tropical.
Saber
contar uma
história é uma
arte.
Mas
contar
histórias
com
tamanha
identificação
entre o narrador e os
acontecimentos é
só
para
quem nasceu na
terra e a
ama
porque, "só
ouve o
brado da
terra /
quem
dentro dela
veio a
nascer".
Assim,
a
literatura encontrará no
folclore a
genialidade
não
apenas de
um
indivíduo,
mas a de
um
povo
inteiro.
A
memória de nossas
lendas,
mágicas e encantadoras, permanece
viva e pulsante no
olhar
carinhoso e no
gesto
solitário de
cada
brasileiro
que
um
dia vivenciou
este
cotidiano
prazeroso.
Porta-vozes
do
processo de
criação e
protagonistas da
nossa
história,
todos têm
suas
marcas
docemente guardadas na
alma de
nosso
povo,
onde vamos
encontrar os
mitos
que a engrandecem."
Severo
Luzardo
Filho
Carnavalesco
SINOPSE
DO
ENREDO
SETOR I
"A
verdade
popular,
nem
sempre ao
sábio condiz.
Mas há
verdade
serena, nas
coisas
que o
povo diz."
Os
mitos e
lendas brasileiras andam
pelos
lares de
nosso
povo assustando e fazendo a
imaginação
voar. Às
vezes, estão
em
vários
lugares
diferentes ao
mesmo
tempo. Os
nomes podem
variar e algumas
características
também,
mas
suas
histórias e
aparições
não morrem. A
cultura
folclórica no Brasil possui
um
repertório de
lendas ligado às
coisas da
natureza, misturado às
crendices dos
brancos
católicos,
negros
africanos e
índios
nativos.
A
beleza de nossas
lendas iguala-se a
beleza das
penas da
cor do
céu da
Gralha
Azul
que voa
célere
para os
pinheirais.
Tão
bela e
alegre
que
seu
canto passou a
ser
verdadeiro
alarido
que
mais parece
vozes de
crianças brincando. A
Gralha
Azul voará
com
nossa
comunidade neste
carnaval e,
ajudante
celeste, levará
nossa
escola
triunfante aos
caminhos da
glória.
Em
quase todas as nossas
lendas, está
presente o
amor...Sim
esse
amor misterioso, essa
entrega de
sentimentos
que
permeia o
imaginário
popular.
O
sedutor
Boto
Rosa,
logo ao
cair da
noite, se transforma
em
bonito
jovem,
bom bebedor,
bailarino
perfeito
que, aparecendo
como
um
cavalheiro
onde haja
baile
ou
festa,
conquista e
encanta a
primeira
jovem
bonita
que
encontra e a
leva
para o
fundo do
rio. Daí
que o
Boto é considerado
pai de
todos os
filhos de
paternidade ignorada.
A
Lenda do
Sol e da
Lua
conta
que
primeiro nasceu o
sol, Guaraci.
Um
dia
ele precisou
dormir e
quando fechou os
olhos
tudo ficou
escuro.
Para
iluminar a
escuridão
enquanto dormia,
ele criou a
lua, a
bonita Jaci, e
imediatamente apaixonou-se
por
ela.
Mas
quando o
sol abria os
olhos
para
admirar a
lua,
tudo se iluminava e
ela desaparecia. Criou,
então, o
amor, Rudá,
seu
mensageiro
que
dia
ou
noite, podia
dizer à
lua o
quanto o
sol
era apaixonado
por
ela. Criou
também muitas
estrelas,
para
que fizessem
companhia a Jaci
enquanto
ele dormia.
A
história do Negrinho do
Pastoreio o
menino
escravo
que,
por
ter deixado os
cavalos fugirem, foi
açoitado e acorrentado
junto a
um
formigueiro é uma
protagonista
entre as nossas
lendas, e
lindamente
igual, encontramos A
Cidade Encantada de Jericoacoara,
Barba
Ruiva e
Corpo
Santo.
SETOR II
"Um
povo
que cultiva
lendas,
frutas no
pomar e
flores no
jardim."
A Salamanca do Jarau
fala do
amor
entre
um
sacristão e uma princesa
moura encantada, a Teiniaguá.
Ela o salvou da
morte e
juntos foram
morar
em uma salamanca (gruta
mágica) no
cerro do Jarau.
Quem
conseguir
entrar e
sair desta
gruta ficará
com
sorte no
amor e no
dinheiro.
Pedro Malasartes, é
um
mito
nacional.
Herói preferido da
gente
simples. Tradicionalmente
esperto, escorregadio,
pai de todas as
artimanhas,
enganos,
seduções e
astúcias. Sai
sempre ganhando dos
que
lhe
são
superiores.
Outros
mitos
muitos
conhecidos do
nosso
folclore
são a
Cobra
Grande (uma
imensa
cobra,
também
chamada
Boiúna,
que cresce de
forma ameaçadora, abandonando a
floresta e passando a
habitar a
parte
profunda dos
rios), e o Mapinguari
que ataca
mais
durante o
dia e
só aparece
em
dias
santos. Ao
correr, o Mapinguari
solta
gritos
para
atrair os caçadores e
poder devorá-los
com
sua
boca
imensa.
A
busca do
ouro e
pedras preciosas escaldou a
mente de
muita
gente
em
tempos
idos
em
nosso Brasil. E o
medo deu
asas à
imaginação. O
fogo-fátuo,
que se desprende da
ossada dos
animais
mortos,
cria a
Mãe do
Ouro, o
Boitatá dos
índios,
que
corisca no
céu.
Ela vive no
meio da
pedraria
preciosa e, de
sua
cabeleira
luzente,
vão caindo dela
pingos de
luz
pelo
chão.
Mas o
melhor
ainda está
por
vir: uma
Serpente Emplumada
que vive escondida no
fundo de uma
caverna,
em
Bom Jesus da
Lapa, na Bahia e As
Mangas de
Jasmim de Itamaracá contando
que no
ano de 1631, vivia na
Capitania da Paraíba, Antônio de Saldanha,
encantado
com a
beleza de D. Sancha Coutinho (donzela
de quinze
anos,
que aspirava a
honra de a
receber
por
esposa). Negada a
mão da
jovem,
ele
marcha
para o
campo da
guerra e
anos
depois reaparece nessa
província,
mas trajando o
hábito de
sacerdote. D. Sancha,
abatida de
saudades, reconheceu o
seu
amante e morreu subitamente.
Sobre
seu
sepulcro, o
sacerdote plantou uma
mangueira, de
cujos
frutos provém as
mangas de
jasmim,
tão celebradas
pelo
seu
aroma e
delicado
sabor.
E tem
também o
mito de Chico
Rei,
que
com os
demais
escravos escondiam
nos
cabelos o
ouro
fino. Dessa
forma, Chico
Rei se
torna
um
homem
abastado, conseguindo
ouro
suficiente
para
comprar a
liberdade de
seu
povo, tornando-se
dono da
mina e
respeitável
entre os portugueses.
No
Reino das
Pedras
Verdes
só existiam
mulheres: As
Amazonas.
Muito trabalhadeiras e exímias caçadoras.
Na
noite de
luar recebiam os visitantes
masculinos de outras
tribos.
Era
noite nupcial. Meses
depois, se nascesse
um
filho, ia
viver
com o
pai, se fosse uma
filha, ficaria
com a
mãe.
O
Papa
Figo, ao
contrário dos
outros
mitos,
não tem
aparência
extraordinária. Parece
mais
com uma
pessoa
comum
que carrega
um
saco e
que sofre de uma
doença
que seria o
crescimento
anormal de
suas
orelhas.
A
Lenda do
Arco-Íris.
Depois da
inundação,
alguns
índios Kayapós, acharam algumas
mandiocas boas e comeram
com o
peixe.
Quando foram
beber
água,
lhes apareceu o
Arco-íris
que se transformou
em uma
mulher e disse: "Quando
quiserdes
água, devereis pedir-me."
A
Iara é
um dos
mitos
mais
conhecidos. É uma
linda
mulher
que exerce
grande
fascínio
nos
homens,
pois
aqueles
que a vêm banhar-se
nos
rios
não conseguem
resistir aos
seus
encantos e atiram-se nas
águas. Os
que sobrevivem, voltam assombrados, falando
em
castelos e
reinos
mágicos.
Diziam as
pessoas
que moravam na
região
ribeirinha do
rio Afuá
que, nas
noites de
luar, aparecia
um
Navio Encantado
todo pintando de
branco e
cheio de
redes vazias.
Porém,
não se
via
ninguém a
bordo e
toda
vez
que
alguém se aproximava,
ele desaparecia.
SETOR III
"Histórias
retiradas do
fundo das
lembranças,
para
recordar o
passado
sem
esquecer o
futuro."
Animadas e coloridas
são as
lendas da
Comadre Fulôzinha (uma caboclinha
pernambucana,
ágil,
com
olhos
escuros e lampejantes), e do Saci-Pererê
(negrinho,
perneta,
sempre pulando numa
perna
só,
capuz
vermelho
vivo enterrado na
cabeça, às
vezes fazendo o
bem e outras, o
mal).
De
sustos e
medos temos Matita
Pereira, uma
velha
assombrosa,
toda
vestida de
negro,
que
anda acompanhada de
um
pássaro
agourento, e a
Missa dos
Mortos.
Conta-se
que numa
noite o
sacristão viu
luzes na
Igreja e foi
investigar. Viu
que o
templo estava
cheio de fiéis e
lustres
acesos. Viu
ainda
que o
padre e os
coroinhas
que se preparavam
para
celebrar a
missa eram
esqueletos
vestidos e a
porta
que dava
para o
cemitério escancarada.
Com a
nossa
cara, Macunaíma surgiu
para
retirar do
passado
todos os
elementos
nacionais,
através da
mitologia e do
folclore, e do
presente, os
principais
problemas
sociais e a
linguagem
popular. É a
representação do
povo
brasileiro
em
busca de
sua
identidade, e o
muiraquitã,
que é o
objeto de
desejo do
personagem, é a
representação dessa
tão procurada
identidade.
Um
novo Macunaíma,
um
novo
Curupira, uma
nova
Mula
Sem
Cabeça contam-nos
mais
que
simples
lendas. Estas
narrativas míticas
são
tesouros escondidos
por
todos os
recantos deste
país.
Severo Luzardo Filho
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