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G.R.E.S. ACADÊMICOS DE SANTA CRUZ

Sinopse 2004

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"NAS PÁGINAS DO BRASIL, SANTA CRUZ ESCREVEU SUA HISTÓRIA"

 

Justificativa do Enredo

O G.R.E.S Acadêmicos de Santa Cruz pretende através do enredo "Nas páginas do Brasil, Santa Cruz escreveu sua história" tornar pública, em âmbito nacional, a rica história de um bairro que faz parte da construção do desenvolvimento do nosso país.

A bela história de Santa Cruz, repleta de monumentos, acontecimentos marcantes e fatos pioneiros no Brasil, merece ser divulgada e preservada.

E é com orgulho e paixão que o G.R.E.S Acadêmicos de Santa Cruz desempenha o papel de transmissor desses acontecimentos para que não se percam no tempo as memórias de nossa terra - A história da nossa Santa Cruz


- As origens de Santa Cruz -

Há centenas de anos, as terras conhecidas hoje como Santa Cruz eram povoadas pelos índios, que viviam em perfeita harmonia com a natureza privilegiada do local.

Após o Descobrimento do Brasil, muitos portugueses foram designados para colonizar a nova terra. Dentre eles estava Cristóvão Monteiro que, por ter prestado inúmeros serviços à Corte, recebeu por concessão a imensa área formada pela planície santacruzense e montanhas vizinhas.

Em 1567, Cristóvão Monteiro tornou-se o primeiro dono, fundador e povoador das terras de Santa Cruz.

Depois do seu falecimento, sua esposa, dona Marquesa Ferreira, doou aos padres jesuítas a área que lhe pertencia. Agregadas a outras sesmarias, a região passou a se chamar Fazenda de Santa Cruz, em cujo solo foi fincado um símbolo de madeira como primeiro monumento desta vasta planície: a Santa Cruz.

Lutando contra todas as adversidades e dificuldades geográficas da região, tais como abismos, alagadiços, enchentes, cobras venenosas, onças e insetos vorazes, os jesuítas, aos poucos, foram demarcando a região.

Sob o abençoado signo, Santa Cruz foi sofrendo melhorias através das mãos obstinadas e incansáveis daqueles padres, e se transformando numa grande Fazenda.

A Residência da Fazenda de Santa Cruz, formada por igrejas e convento, foi a maior do Brasil.

O luxo e o acentuado cunho artístico dominavam toda a decoração da Residência.

O mobiliário era entalhado em jacarandá e bronze; os altares filetados a ouro; azulejos primorosamente pintado; objetos de ouro, prata e pedras preciosas.

Os jesuítas pretendiam construir aqui o maior templo do continente. A solidez dessa construção atravessou os séculos e atualmente abriga o Quartel do Batalhão Villagran Cabrita.

 

- As primeiras benfeitorias -

Muitas foram as melhorias realizadas pelos jesuítas e seus escravos na Fazenda de Santa Cruz.

A famosa escravaria construída de uma multidão de homens, mulheres e crianças, disciplinados e obedientes, muito contribuiu para que nossas terras fossem ocupadas com plantação, criação de gados, casas e obras de grande valor histórico.

Uma dessas obras monumentais, construídas em 1752, foi a Ponte do Guandu ou Ponte dos Jesuítas, como hoje é conhecida.

Destinada a regular o volume das águas das enchentes do rio Guandu, era de fato uma represa.

Por meio de comportas de madeira, habilidosamente manobradas, os jesuítas controlavam as águas, detendo o movimento das marés ou aliviando o rio avolumado pela enchentes.

Essa admirável obra arquitetônica, situada na Estrada do Curtume, apresenta uma famosa inscrição em latim; "Dobra o joelho sob tão grande nome. Aqui também se dobra o rio em água refluente".

Como mais dois séculos e meio, este monumento resiste ao tempo; sua estrutura original permanece inalterada. Levando-se em conta as dificuldades locais da época, a realização de uma obra de tal proporção, no meio de uma selva hostil e quase impenetrável, foi um feito memorável.

A Ponte dos Jesuítas constitui um autêntico documento de nossa história. Dentre as providência tomada pelos jesuítas, a criação de gado obteve lugar de destaque . Além de ser a maior fonte de renda, tornou-se a mais numerosa e importante da Capitania do Rio de Janeiro, abastecendo de carne toda a cidade.

Uma das mais admiráveis iniciativas dos dirigentes da Fazenda de Santa Cruz foi a fundação de uma Escola de Música, com orquestra e coral formados por escravos, que abrilhantavam missas e festas da Fazenda e da Corte. Assim, Santa Cruz conquistou a glória de ter sido o berço da organização coral e instrumental do primeiro Conservatório de Música no Brasil.

Num período da História em que desbravar e colonizar eram imprescindíveis, Santa Cruz deteve a honra de possuir a única trilha que ligava a cidade ao sertão, partindo da Fazenda "O Caminho dos Jesuítas", contrabandistas de ouro e diamantes que, perseguidos pelas patrulhas, por ele enveredavam. Também denominado por "Caminho dos Minas" e mais tarde "Estrada Real de Santa Cruz", este percurso ia até Sepetiba, porto com destino a Parati; início então, da esperançosa caminhada para as sonhadas jazidas.

Em 1759, quando os jesuítas foram presos e expulsos do Brasil, pelo Marquês de Pombal, encerrou-se uma página da história da Fazenda de Santa Cruz.

 

- A realeza em Santa Cruz -

Depois que os jesuítas foram banidos do Brasil, a Fazenda de Santa Cruz foi incorporada à Coroa Portuguesa e subordinada aos Vice-Reis. Durante alguns anos esteve à beira do caos, em decorrência de administrações desastrosas.

No governo do Vice-reis Luiz de Vasconcelos e Souza, Santa Cruz se reergueu e novamente prosperou, ficando conhecida como a "Jóia da Capitania".

Despertou a cobiça de muitos compradores tamanha a fartura e possibilidades econômicas. Felizmente, nenhum obteve êxito em seu intento.

Em 1808, com a chegada de D. João VI ao Brasil, Santa Cruz foi bastante beneficiada. Escolhida como "Sítio de Veraneio Real", a Residência da Fazenda foi transformada em Palácio e toda a propriedade sofreu melhorias,a fim de receber a Família Real e sua comitiva.

A primeira visita de D. João VI a Santa Cruz foi um acontecimento magnífico.

Chegando a estas terras em suntuosa carruagem, foi recebido com pompas, repiques de sinos, festividades e rojões.

Sentindo-se tranqüilo e seguro na real Fazenda de Santa Cruz, o príncipe regente prolongava a sua estada por vários meses. Além de despachar, promover audiências públicas e recepções, caminhava e caçava pela dileta propriedade.

No salão de despachos do Palácio nasceu a primeira medida preparatória da Abolição da Escravatura, com a ordem de limitação do tráfico de escravos.

Na história administrativa do Brasil, Santa Cruz se destacou como sede do governo regencial e reinado, durante os períodos em que D. João permanecia no Palácio da Fazenda.

Por sua iniciativa foram trazidos da China cerca de cem homens encarregados de cultivar chá, na localidade conhecida atualmente como "Morro do Chá".

Durante quase um ´século essa atividade foi produtiva e atraiu o interesse de técnicos e visitantes, tal o pioneirismo de sua implantação no Brasil.

Os chineses instalaram-se como no país de origem. Construíram casas ao estilo de pagodes, com lanternas coloridas e projetaram jardim delicados nos arredores.

O chá plantado em Santa Cruz era de excelente qualidade e por isso, sua produção totalmente vendida, engordando os cofres da Coroa.

Um dos recantos mais bonitos da Fazenda de Santa Cruz - Sepetiba - foi palco de inúmeros acontecimentos da História do Brasil, e até hoje mantém sua importância como posto de vigília, em frente à Base Aérea, para garantir a soberania nacional. Ligada a pré-história indígenas, como atestam a presença de sambaquis na região, Sepetiba foi considerada o "Porto do Ouro", por receber todo o ouro que vinha de Parati com destino a Lisboa.

Atraindo a cobiça dos pintores, a baía de Sepetiba foi cenário de muitas batalhas entre corsário e soldados do Rei.

Além do ouro, os piratas usurpavam o pau-brasil, abundante nas matas santacruzenses.

Por longos períodos, D. João VI esteve em Santa Cruz, promovendo melhorias e desfrutando das belezas locais.

Em 1820, despediu-se saudoso da terra que tantas alegrias lhe concedeu. Retornaria à Metrópole Portuguesa, levando no coração a paz e a tranqüilidade que a Real Fazenda de Santa Cruz lhe proporcionavam.

Entretanto, a presença de seu sucessor, D. Pedro I, tornou-se constante em Santa Cruz.

No Palácio Imperial da Fazenda passou sua lua-de-mel com a Imperatriz Leopoldina e manteve com a Marquesa de Santos encontros clandestinos.

Antes de iniciar a história viagem da Independência, D. Pedro I deteve-se em Santa Cruz, onde aconteceu uma reunião no dia 15 de agosto de 1822, com a presença de José Bonifácio, para estabelecer as bases que culminaram na nossa liberdade.

Ao regressar, vitorioso, antes de seguir até a cidade, comemorou entre nós a Independência do Brasil.

D. Pedro I, ao abdicar do trono, semeou no coração dos seus filhos o amor a Santa Cruz. Desde cedo, D. Pedro II e as princesas freqüentavam o Palácio santacruzense, onde promoviam concorridos bailes e saraus, que contavam com a presenças de fidalgos e ministros.

A majestosa família deixou gravada em nossas páginas grandes feitos históricos.No final de 19881, D. Pedro II inaugurou o Matadouro de Santa Cruz, tido como o mais moderno do mundo.

À Princesa Isabel coube um dos maiores acontecimentos de Santa Cruz; a alforria de todos os escravos do Governo Imperial. A promulgação da lei foi assistida por ilustres convidados, Entre eles, o Visconde do Rio Branco e o Conde Deu.

Santa Cruz, por sua posição político-econômico e sobretudo estratégica (frente para o mar e fundos para os caminhos dos sertões de Minas) foi uma das primeiras localidades do País a se beneficiar com os meios de comunicação da época.

Em 22 de novembro de 1842 foi inaugurada a primeira Agência dos Correios do Brasil, adotando o sistema de entrega em domicílio.

Pouco a pouco, Santa Cruz foi se transformando numa cidade, com palacetes, solares, estabelecimento comerciais, ruas e logradouros. Resistindo ao tempo e à ação criminosa dos homens, muitos desses locais ainda se mantêm de pé, atestando a importância histórica da nossa santa terra.

O Curral Falso- porta de entrada de Santa Cruz, o Palacete Princesa Isabel, o Marco Onze, a Fonte Wallace, o Hangar do Zeppelin e tantas outros , enobrecem a nossa história.

 

- Tempos modernos -

Depois da Proclamação da República, Santa Cruz perdeu um pouco do seu brilho. Mas, sanadas os seus problemas. logo atraiu imigrantes estrangeiros, que muito contribuíram com a nossa economia.

Os japoneses se especializaram no plantio do tomate, frutas, legumes e hortaliças. A produção era tão grande que abastecia toda a cidade do Rio de Janeiro, conferindo à Santa Cruz o título de Celeiro do Distrito Federal.

Os árabes e os italianos foram os responsáveis pela expansão do comércio local. O tempo foi passando e tudo foi se transformando. As plantações e os pastos cederam espaços às indústrias, que trouxeram o progresso à região.

Muitas fábricas foram instaladas, tornando Santa Cruz conhecida como Cidade Industrial. A necessidade de mão-de-obra que atendesse às indústrias fez surgir os conjuntos habitacionais, para abrigar milhares de operários trazidos da cidade do Rio de Janeiro. Tornaram-se todas santacruzenses, pois aprenderam a amar e respeitar a terra que os acolheu.

Conservando a hospitalidade e a alegria, o povo santacruzense cultiva e preserva às suas tradições.

Datas cívicas e religiosas sempre foram comemoradas com inesquecíveis festividades.

Eleito como o mais animado do Rio de Janeiro, o Carnaval de Santa Cruz, desde remotas época mantém viva a maior manifestação popular e cultural do país.

Lutando par que não se apague a memória de nossa terra, escrita nas páginas do Brasil, o G.R.E.S Acadêmicos de Santa Cruz leva para a Avenida um pouco da história do nosso chão. da terra da qual nos orgulhamos e honrosamente chamamos SANTA CRUZ.

Rosele Nicolau Jorge Coutinho, autora do enredo

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