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"AMAZONAS, O ELDORADO É AQUI"

Setores
Abertura - O caminho da ambição o sonho do Eldorado
Setor 1 - A floresta e o imaginário fantástico europeu
Setor 2 - No caminho, Índios e Amazonas
Setor 3 - Ingles, holandeses, franceses e as companhias de Londres e
Flessinger
Setor 4 - Expulsão das missões Castellanas, catequistas e especiarias
Setor 5 - Da capitaniado Norte à Eldorado da "belle époque" tropical
Setor 6 - O progresso e as indústrias no coração da selva
Setor 7 - Amazonas - o Eldorado é aqui
O enredo:
Para corroborar a lenda do ELDORADO os conquistadores espanhóis
acreditavam que um grande número de Incas tinha fugido para o interior
quando da invasão do Peru, e que haviam carregado com eles muitos tesouros
e fundado um novo grande império chamado de "PAITITI".
Mas com o passar do tempo e os resultados negativos das primeiras
expedições, os espanhóis estenderam sua cobiça para além da Cordilheira
dos Andes, em direção ao leste, para onde apontavam os novos relatos dos
índios peruanos. A partir disso, inúmeros viajantes, descreveriam a
Amazônia e seus habitantes ao londo de diversas expedições em busca do
famoso ELDORADO.
Os irmãos Pizarro, após liderarem a destruição do império dos Aztecasno
México e do império dos Incas no Peru, roubando todo o ouro e toda a prata
e matando todos os seus líderes, ficaram impressionados com as lendas a
respeito de um certo lugar que chamavam de ELDORADO, um lugar de fabulosas
riquezas que ficava às margens de um imenso lago.
Setor 1
Em 1541, Gonzalo Pizarro, então governador de Quito, no Equador,
associa-se ao capitão Francisco de Orellana para partindo da cordilheira,
seguir a pé acompanhando o trajeto dos rios formadores do fictício lago
gigante, em busca do tal lugar tão cobiçado, além de novas paragens para
colonização e também da árvore da qual se produzia a canela. A expedição
era composta de 300 soldados espanhóis e cerca de 4000 índios.
Após uma marcha infrutífera de 70 dias e diante da grande dificuldade em
obter alimentos, Orellana e Pizarro decidiram separar-se. Pizarro retornou
a Quito, enquanto Orellana resolveu prosseguir pelo grande rio de LOS
OMÁGUAS, hoje rio Napo.
Orellana era acompanhado de 55 soldados e dois fraddes, um dos quais, Frei
Gaspar de Carvajal, que mais tarde relatou a viagem em uma crônica que
futuramente iria se tornar de grande importância histórica, embora
entremeada de muitas alusões fantasiosas.
O frei relata que em ambas as margens do rio eram densamente povoadas e
que os grupos indígenas não tinham dificuldade em abastece-los com comida,
ainda que muitas vezes fosse preciso à força tomar, atacando aldeias e
guerreando com os índios. Noutras vezes, apesar da boa acolhida que lhes
proporcionaram os índios, oferecendo-lhes peixe e caças, conta a crônica
que Orellana mandou incendiar muitas de suas cabanas, alvejando e
enforcando aqueles que não fugiram.
Setor 2
Numa das aldeias onde pararam, Orellana foi informado por um indígena que
tomasse cuidado com as CONIUPUIARAS, grandes senhoras, que os matariam se
entrassem em suas terras. E quanto mais desciam o rio, mais fortes eram os
indícios e as informações recebidas sobre essas mulheres temidas pelos
indígenas.
Em outra aldeia encontram uma praça, com uma grande escultura em relevo,
onde figurava, sob dois "leões", uma cidade com torres altíssimas e
murada. Tendo Orellana perguntado sobre o significado dessa escultura,
teria sido informado de que os habitantes desta aldeia eram "súditos e
tributários das Mulheres Guerreiras", a quem forneciam penas de passáros.
No centro da praça vêem um oratório que conservavam em homenagem a sua
senhora, a governante das guerreiras. Mais adiante, penetram no território
proibido onde já eram esperados.
Ainda segundo Carvajal, os soldados travaram uma intensa luta contra esses
índios e também com algumas mulheres que teria avistado de longe.
Em seu relato, o frei narra que embora abatessem vários índios todos
comandados pelas mulheres e mesmo algumas destas, os soldados se viram
obrigados a fugir, tendo porém capturado um dos silvícolas. Este, mais
tarde, ao ser interrogado, declarou pertencer a uma tribo cujo chefe,
senhor de toda área, era súdito das mulheres que residiam no interior. Na
qualidade de súditos das coniupuiaras, obedeciam e pagavam tributos, e
que, como seu senhor COUYNCO estava a elas subordinado, vieram ajuda-lo na
guerra contra os espanhóis. O indígena conhecia-lhes de perto o local de
moradia, porque já havia ido várias vezes levar-lhes tributos em nome de
seu senhor.
Segundo o índio capturado, as guerreiras não possuíam maridos e eram em
grande número, ele conhecia cerca de 70 aldeias. Habitavam casas de pedras
com portas, suas aldeias eram cercadas e ninguém passava sem pagar
tributo. Copulavam com índios que capturavam em guerras que empreendiam
com esse único propósito. Ao engravidar, descartavam-se desses homens sem
fazer-lhes mal algum. Os filhos do sexo masculino, nascidos destas
relações, eram sacrificados ou enviados aos pais, enquanto as meninas eram
educadas para a guerra. Entre essas mulheres havia uma, que reinava
soberana sobre as riquezas em demais, cujo nome era CONHORÍ. Em suas
terras havia grandes riquezas em ouro e prata e cinco grandes templos
dedicados ao sol, chamados CARANAÍ, equipados com assoalhos e tetos
pintados, além de inúmeros ídolos de ouro e prata com figuras femininas.
Andavam com roupas finíssimas, fabricadas com lã das "ovelhas peruanas".
O encontro e as escaramuças na foz do rio Nhamundá com as índias
guerreiras e a descrição do índio prisioneiro, foi o bastante para que
houvesse associação com as AMAZONAS da história que é conhecida da
literatura greco-romana. E o rio, que o explorador Pinzón havia denominado
de Santa Maria de La Mar Dulce no final do século XV, passa a ser chamado
de Rio de Las Amazonas e finalmente rio Amazonas.
Setor 3
Depois de oito meses de viagem pelo grande rio, durante os quais
ocorreriam incidentes de toda ordem, a expedição de Orellana chegou ao
mar, completando assim, pela primeira vez, o trajeto integral entre os
Andes até o oceano Atlântico e dando a conhecer ao mundo uma informação um
tanto mítica e pouco detalhada sobre a natureza da região.
Apesar de Orellana não encontrar o ELDORADO e suas riquezas fabulosas, e
ter de contentar-se com as árvores de canela que encontrara no começo da
jornada, a narração feita pelo frei Gaspar de Carvajal, teve imensa
repercussão na Europa e correu o mundo, alimentando ainda mais as lendas a
respeito do ELDORADO.
Mais tarde, os espanhóis ainda fizeram outra incursão à Amazônia, mas
devido às dificuldades de conquistar o território, resolveram adiar a
tarefa de coloniza-lo.
Os ingleses e os holandeses sabendo das potencialidades do local
resolveram então, fazer incursões no Amazonas com a finalidade de
coloniza-lo e explora-lo. Em 1596 fundam feitorias e pequenos fortes,
passam a fazer o comércio de madeiras e pescados, iniciam a plantação de
cana, algodão e tabaco, através das companhias de Londres e Flessingem.
Os portugueses nesta época, estavam expulsando os franceses do Maranhão e
resolvem estender a conquista até o Amazonas, já que há a união Ibérica
desde 1580.
Em 1616 inicia-se um combate entre portugueses ingleses, e holandeses ali
estabelecidos, com vitória portuguesa. No ano de 1640 com o fim da união
Ibérica, o Pará encontra-se sob o domínio português, pois os espanhóis
haviam delegado a eles a ocupação do território.
De 1648 a 1652, o bandeirante Raposo Tavares desce o Amazonas, os
portugueses conquistam os rios Negros, Solimões e Branco e se apossam
formalmente da região. Iniciam-se as missões franciscanas e a construção
de um forte em Guaporé. Os portugueses encontram muita dificuldade para se
estabelecerem na região. No rio Negro, os índios Manaos e na bacia do
Madeira, os Torás, lutam contra os colonizadores e os franceses,
instalados em Caiena, fazem incursões na região.
Setor 4
Na zona do Solimões, os portugueses encontram missões castellanas e
expulsam os padres e os soldados que os amparam, tomando posse da região
entre 1691 e 9697, enquanto garantiam também o domínio na região do
Madeira e na bacia do Napo. Vários grupos religiosos iniciam a tarefa de
sistemática colonização, espalhando as suas missões pelo vale amazônico e
iniciando a exploração econômica. Começa a exploração do cravo, cacau,
canela, resinas aromáticas e plantas medicinais, sob o controle dos
missionários e com a mão de obra indígena.
Com o objetivo de espalhar a fé católica e de ampliar o comércio de
especiarias, os religiosos se transformam em nômades, seguindo sempre as
margens do rios, fundando aldeamentos que dão origem a dezenas de
povoados, e se expandem cada vez mais pelo oeste. No rio Negro, porém, a
oposição indígena é violenta.
Nos anos seguintes, intensificam-se as atividades espanholas e francesas
na região. Para melhor defender a posse lusitana no Amazonas, funda-se, em
1669, o forte de São José do Rio Negro.
A partir de 1750 se iniciam as negociações com a Espanha sobre as terras
invadidas e colonizadas já que os portugueses mantinham a fé, que, em
algum lugar daquelas paragens existia sim um ELDORADO.
Em 1755, cria-se a capitania de São José do Rio Negro, separada do Pará,
para consolidar o domínio luso do Amazonas. Funda-se em 1758, a VILA
MARIÚRA, que passa a ser a capital. Estimula-se a ocupação do território
oferecendo privilégios a quem lá fosse morar e instalam-se diversas
fortalezas.
Em 1759, os jesuítas são expulsos da região. Em 1780, ocorre uma
recuperação econômica que dura até 1820. Surge o povoado da BARRA, hoje
Manaus, em 1786, e a capital é aí instalada. Criam-se pequenas indústrias
de tecidos de algodão, manufaturas de cordoalhas, manteiga de tartaruga,
cerâmicas e velas, além da agricultura de café, tabaco, algodão, arroz,
milho, cacau, mandioca, cana de açúcar e da pecuária do Vale do Rio
Branco. A capitania chega a ser responsável por 1/3 da exportação total da
região amazônica.
Setor 5
Após a independência do país, a capitania não passa a província do
império, ocorrendo conflitos políticos. Em 1832, inicia-se uma guerra
armada que desliga o território da província do Pará e proclama o
Amazonas, província imperial, sem reconhecimento por parte do governo. Em
1833, passa a denominar-se COMARCA DO ALTO AMAZONAS.
No ano de 1850, a comarca é promovida a província, inicia-se o surto da
borracha e com ele chega a navegação a vapor, cria-se a primeira
biblioteca e o primeiro jornal. Cientistas são incentivados a identificara
flora, fauna, o solo, subsolo e os grupos indígenas. O museu Botânico em
Manaus é fundado em 1883 e nordestinos ocupam o interior em busca da
borracha.
Com a proclamação da república, a província passa a estado e Manaus é
urbanizada. Aterram-se igarapés, abrem-se ruas e avenidas, praças e
prédios públicos. Enquanto isso, a borracha dos seringais do Purus-Acre,
do Juruá e do Madeira enriquecia o Amazonas.
Surgem o TEATRO AMAZONAS, o MERCADO MUNICIPAL, um complexo flutuante,
galerias de esgoto, linhas de bonde e iluminação elétrica são instaladas,
segunda cidade do país a ter este benefício. Tudo isto construído pelos
ingleses e com suas matérias primas. Manaus adquire fama mundial. Em seu
teatro, apresentam-se as melhores companhias européias, a população
aumenta. Chegam médicos, bacharéis, jornalistas, engenheiros, agrônomos,
comerciantes e operários. Navios de vários países atracam em seu porto. O
amazonense torna-se o maior contribuinte, per capta, do erário federal. É
o eldorado tropical desenterrado das matas do norte brasileiro.
Setor 6
Em 1953, o governo federal cria a Superintendência do Plano de Valorização
Econômica da Amazônia e oferece incentivos fiscais para a instauração de
empreendimento no setor da agroindústria. Instalam-se fábricas, moinhos de
trigo, refinarias e usinas.
No final dos anos 50, construiu-se a rodovia Belém-Brasília, rompendo o
isolamento da região. Em 1967, é criada a superintendência da zona franca
de Manaus, depois viraria zona franca industrial, que permite um aumento
do fluxo turístico na cidade, consequentemente, construíram-se redes
hoteleiras convencionais e de selva um aeroporto internacional. No início
dos anos 70 é feita a transamazônica, que corta o Amazonas deste
Jacareacanga, no Pará, até Humaitá, no rio Madeira, além das descobertas
de metais preciosos, como o ouro. Em 1987, o governo federal anuncia a
descoberta de reservas de petróleo e de gás natural de qualidade muito
superior ao da bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro.
Setor 7
Já em 1989, inicia-se o movimento internacional pela preservação da
Amazônia, o mundo vira seus olhos em direção à região. Enquanto os outros
estados e países que fazem o eixo amazônico não atentam para a devastação
que se instala, o estado do Amazonas apontaria para outra direção.
Sendo o maior detentor de território do bloco, seus governantes,
conscientes de sua responsabilidade, direcionam seus esforços visando o
proservacionismo e cria mecanismos para o incremento e desenvolvimento
sustentável.
O amazonense pensa e age com uma clareza, que, só as pessoas com uma
grande visão sobre o seu papel no contexto mundial fariam. Para começar, a
noção de patriotismo aliada a uma forte raiz cultural e social, impelem
estes verdadeiros guardiões da vida a seguir empunhando as mais variadas
bandeiras em prol de sua terra e seu país.
Cabe a nós que estamos geograficamente afastados porém, unidos pelo mesmo
coração patriota, ajudarmos a carregar estas mesmas bandeiras contra a
internacionalização do nosso território.
Fatos e atitudes são relatados constantemente mostrando o abuso
internacional e a falta de respeito e ética em relação as nossas
fronteiras e a nossa riqueza. Os descalabros são tantos que, em alguns
países o nosso mapa já não constam as fronteiras da região norte, que,
seria agora, uma região administrada por uma junta internacional, e este
material está sendo utilizado para crianças do ensino médio, e em pouco
tempo tomarão como verdade absolta esta informação e como futuras
formadoras de opinião, facilmente poderão usa-las contra nós que somos
soberanos de nossa terra. Quanta irresponsabilidade!
O furto e a pirataria não estão mais restritos aos livros e filmes ou a
produtos falsificados, mundo afora. Dentro do estado, madeireiras pilham
nossas árvores nobres e, pasmem, para mercados internacionais. A extração
ilegal de outro e principalmente de diamantes, feito por estrangeiros que,
na maioria das vezes ainda coagem os nativos da própria região, e não
falamos só dos índios, mas de todos que por lá habitam, para sim cometes
tal vandalismo. São as nossas riquezas pilhadas e o nosso empobrecimento,
justo o nosso que tanto carece de recursos.
Falsos missionários e expedições chegam aos montes na região, não com o
intuito de conhecer e estudar, e sim de forma vil e na maioria das vezes
cruel, roubam nossas plantas e animais levando-os para fora de nossas
fronteiras, sempre se dizendo detentores destes conhecimentos e se
apossando, incluindo com elementos legais, como patentes internacionantes,
até dos nomes indígenas de plantas, frutas e animais.
Hoje podemos afirmar que determinados produtos nativos já não nos
pertence, mesmo que só existam aqui, pois de forma maldosa e insana
registraram como legítimos donos do nome e do item. Levantemos mais esta
bandeira, é a nossa terra, é o nosso Brasil.
Com o avanço da tecnologia de informação de pesquisas, sabemos hoje que,
no coração das florestas do Amazonas temos alguns dos maiores veios de
ouros do planeta, assim como o urânio, diamantes, metais de toda ordem e
reservas de elementos ou componentes químicos tão raros quanto preciosos.
Em se falando de riquezas, no nosso "ELDORADO", temos ainda preservada uma
grande parte da nossa floresta, isso no estado do Amazonas, que por sua
vez todos os dias nos presenteia com sua biodiversidade, nos enchendo de
esperança que, nela, encontraremos a cura e a saúde, o ar e a água e por
fim, a vida e a harmonia que todos os seres necessitam para coexistir
respeitando as leis da natureza, por hoje e para os tempos vindouros.
O desenvolvimento das indústrias de bens de consumo e do campo,
auto-sustentados, além do extrativismo controlado, o engrandecimento
cultural e artístico, contando também como o conhecimento acadêmico, o
estímulo do turismo ecológico, pela importância da biodiversidade e as
pesquisas a procura de benefícios futuros na área de medicamentos, e tudo
isso realizado, podemos dizer que descobrimos o grande eldorado, e este, é
aqui no estado do AMAZONAS.
Carnavalesco - Roberto Szaniecki
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