Unidos do Cabuçu – Sinopse 2016

CARNAVAL DE 2016

SINOPSE DO ENREDO

A Festa é Nossa e Ninguém Tasca! São 70 Anos de Xou da Cabuçu no Mundo Mágico do Carnaval

Unidos do Cabuçu - Logo do Enredo - Carnaval 2016

 

JUSTIFICATIVA DO ENREDO:

Quando a Unidos do Cabuçu entrar na Avenida no Carnaval 2016, ela já terá completado 70 anos de fundação. Nascida em 28 de dezembro de 1945, a “Escola Emoção” ficou conhecida como a que teve sua história marcada pelas belas homenagens às celebridades vivas, principalmente durante os anos em que desfilou pelo Grupo Especial das escolas de samba do Rio de Janeiro. E para celebrar seu septuagésimo desfile oficial, a S.E.R.E.S. Unidos do Cabuçu não poderia deixar passar isso em branco. Será em azul e branco. Através deste enredo ela irá homenagear sua própria história. A ideia é a de narrar esta história tendo como base as letras de seus principais sambas-enredos, muitos deles cantados até hoje pelo grande público.

 

INTRODUÇÃO:

Batam palmas na Avenida! É Carnaval! A Unidos do Cabuçu gloriosamente vem comemorar seus 70 anos, cantando seu passado de glórias, passando pelo Marquês de Tamandaré e pela Marquês de Sapucaí. Está aqui a primeira campeã da Passarela. Somos Unidos e cantamos contentes, desde a Praça Onze onde o samba imperava e das Relíquias do Rio Antigo na Candelária. Ouça com respeito e atenção o que narramos.

 

SINOPSE:

“Aconteceu, virou Manchete!”. Neste Carnaval 2016 a saudosa revista ressurge apenas para lançar uma edição especial sobre os 70 anos da Cabuçu. O menino de Kiev, lá da Rússia tão distante, mandou publicar. Deve ser a saudade dos pierrôs e colombinas, do colorido genial, dos costumes dessa terra tão amada. Shalom!
Ah, os velhos carnavais… Na Praça Onze a alegria era geral. No giro da Porta-bandeira, todos queriam girar. Na festa de alegria, no mundo de fantasia, viu todo o povo cantar. Tinha certeza que este sonho teria um belo final, e que daria um tema de Carnaval. São devaneios dos poetas.

Veio o Cabuçu todo enfeitado, do apogeu à queda de uma nação Guarany, do heroísmo dos Sete Povos das Missões. Quantos temas envolventes, sobre sua história e sua gente, valorizando seu chão, tal qual pedra preciosa. Um presente aos nobres que o Brasil tem pra dar.

Relembrando uma época distante, um passado emocionante, estava conquistado o ideal. O Gigante negro da Abolição pela República lutou, e assim a liberdade enfim chegou.

Quanto orgulho brasileiro. Cabuçu, tua obra não nega. Hei de torcer com emoção. Passando pelo Teatro de Revista e pela Rádio Nacional, trouxe de berço o seu talento. Mas é Carnaval e não podemos esquecer disso. E no carnaval dos Tobossis, tem que entrar como você entrou e ser feliz como você foi. No Reino de Minas Jêjê, das pretas velhas, da meninada de vodun, se encantou com a pureza do Ritual de Daomé.

Ave Maria! Mas quem diria, cruz em credo, que no paraíso chegaria o Gênio do mal em forma de dragão? Mostrou em samba que há coisas entre o céu e o mar que a vã filosofia nem pode imaginar. Mas quem espera sempre alcança. Do brasileiro ninguém tira a esperança. O povo brasileiro, sofredor, ainda está de saco cheio de comer o pão que o diabo amassou. Esperança: sonho, utopia ou devaneio?

Por falar nisso, muitos anos se passaram no devaneio do criador. Foi uma zorra na Abolição. Clementina abolindo a escravidão, Carmem Miranda montada em uma girafa, Chica da Silva na nave espacial, disputando os céus com o 14 Bis de Cabral… Deu a louca na história e a Cabuçu embarcou nessa onda. Mas não foi por mal, afinal era Carnaval!

Depois disso tudo, fica a pergunta: afinal de contas, quem somos nós nessa cidade encantada? Ora ora, todos sabem muito bem os detalhes dessa vida agitada, uma palavra amiga sempre tão querida do camarada. Encontrou inspiração neste palco de emoções. Apollo dedilhou sua lira e o Rei cantou, em festa e fantasia, na Corte da alegria. Um mundo realmente mágico. Aliás, neste mundo mágico a tristeza nunca conseguiu atrapalhar. Foi festa em todos os corações, contagiou o povo, despertou a lembrança, e na carona da ilusão fez todos voltarem a ser crianças. Transformou a avenida em picadeiro, pintou o sete. Com a dignidade dos palhaços, fez o povo brasileiro vibrar. As crianças se encantaram. Ah… as crianças, não esqueçam dela por favor!

O Brasil sempre foi sua inspiração. E lá da terra importante da história do Brasil, iluminada pelo Astro Rei, veio o poeta genial, o patrimônio da cultura musical. Ele é do mundo, ele é de Minas e foi da Cabuçu. Com o Trem Azul fez a travessia, com força, raça e magia. Querido Menestrel das Alagoas, sua voz ainda ecoa entre nós…

Vejam só como a ironia do destino estava presente. Parece até que sabia que havíamos votado errado para presidente. O sol da liberdade até raiou e o povo livre votou, mas o Reino de Avilan não se findou e a lambança continuou.

Ao longo destes 70 anos, a Cabuçu cantou e contou histórias e estórias. E num mágico universo de ternura, em um sonho colossal, fez da vida um doce, em um turbilhão de cores, se transformou num planeta triunfal, e como numa viagem encantada, brincou o Ilariê no Carnaval, alegrando milhões de corações com a Rainha e sua Corte. Foi um Xou na avenida!

No embalo deste mundo infantil nos carregou e nos transformou em crianças. Extra! Extra! Anunciava a maior revelação do carnaval. De quadrinho em quadrinho levou seu recado para o mundo inteiro. Até pro Japão! Colocou as cartas na mesa, com paciência japonesa e soube esperar. E no despertar do sol, tal qual o Kasatumaru, trouxe a cultura oriental para o carnaval, rebuscando seus novos ideias. Do país do futebol ao Império do Sol Nascente misturou saquê com samba e alegrou a nossa gente. Sayonará!

Mas o orgulho de ser brasileiro não foi esquecido. Encantou o Rio de amor, abrindo a cortina para o show e mostrando a arte fascinante que o Teatro irradia. Abraçou a Cinelândia e o Rival, e nos fez bater palmas para os grandes artistas e outros mais, orgulho do cenário brasileiro que não esqueceremos jamais.

Foi a n. 1, foi a Paixão nacional, foi enredo musical, explodindo coração na avenida. Até Pero Vaz de Caminha sambou. O índio, o branco e negro trocaram prosas e o gingado pelo mundo se espalhou. Aconteceu e virou uma boa ideia. Mercedes benzeu e a Maria rezou, e mais uma vez brilhou na avenida. Mas como já dizia o poeta, Maria, Maria… tenha sido ela aventurada em missão de amor, escolhida pra gerar o Rei dos Reis, tenha sido ela escandalosa, teimosa ou que dava ordem no sertão ou a heroína da libertação, você fez a exaltação. Com a lata d’água deu um banho, deixou fumaça por onde passou.

A vida é como um jogo de xadrez. E desfilando com amor, jogou com a vida, com manha e astúcia. Trouxe o passado ao presente, na inteligência de um jogador, e com toda sorte do mundo, disputou o Grande Prêmio. Mas e o futuro? O futuro a Deus pertence, pra que discutir? A Cultura é universal. Chegamos ao Terceiro Milênio e aqui tem festa desde os tempos de Cabral! O grito do índio ecoou, a luta contra a escravidão, a preservação da natureza, a fé nas divindades, a exaltação ao Pindorama. Na folia, sempre vestiu a fantasia sem preconceito social, juntou o luxo com a pobreza, modernizando a beleza.

A poesia continua no ar, mesmo com os trancos que a vida lhe deu. Superou barreiras, com fraternidade, amor e união. Tem magia na avenida. Sempre. Tem um elo com a emoção. De um lindo sonho encontrou a solução.

Viajou no Folclore brasileiro, Reisado e Maracatu. Nessa folia encantou corações e fez todo o povo dançar com a Cabuçu. Uma estrela nunca para de brilhar. O bem que você faz, o fruto vai colher e o mal nunca vencerá. Axé, rogai por nós em uma só voz. Os atabaques no rufar do tambor. Não tem pedra nem espinho, tirem a mordaça do caminho. Não me deixem calar. Oh mulata assanhada, seu cantar seduz. É no show da bateria que a mulata vem sambar. Seu gingado tem magia.

Hoje é Carnaval! É show na passarela, uma viagem ao desconhecido. Bate tambor! Com seu batuque vem me contagiar. Mostrem as garras na avenida mais uma vez, meus leões! Canta feliz a força do samba raiz. Pisa forte neste chão erguendo seu pavilhão. A Cabuçu mexe e remexe, sacode e enlouquece. O show tem que continuar! E nos braços da poesia, cores, brilhos e fantasia, abram alas que a Cabuçu veio mostrar seu chão. Enredos que fizeram delirar, hoje a Primeira campeã da Passarela, de azul e branco vai cobrir esta avenida. Guerreira do samba, tens um brilho que não se apagará. Lá no céu sua estrela brilha em nosso olhar. Com a alma guerreira, assim como o “Almirante Negro”, sua história jamais vamos esquecer.

Agora está na hora da virada. Arrebata de emoção a multidão, com mais um samba no coração porque o sonho mais profundo continua sendo o dia em que o samba venha dominar o mundo. A Festa é nossa e ninguém tasca! Vamos rir por último que é melhor! Vamos festejar! São 70 anos e viemos comemorar! Parabéns Babaú, parabéns Cabuçu!

“Alô meu povão brasileiro, olha a Cabuçu aiii!”

 

Administração: Carlos Alberto Vieira (Caju)
Autores do enredo: Edson Siqueira e Therezinha Monte
Pesquisa e texto: Edson Siqueira
Carnavalesco: Edson Siqueira